Suficiente.

Ninguém tem uma puta ideia do que está fazendo. Alguns – poucos, raros, excepcionais – têm uma ideia clara do que querem, e ainda assim essa visão é limitada, porque trabalham com as informações e dados e experiências que têm até agora; basta um pequeno evento não-planejado (eles sempre acontecem) e aquele caminho não faz mais sentido na sua totalidade.

No seu feed de notícias (LinkedIn, Twitter, Facebook, e o pior – Instagram) você vê uma parte mínima da realidade momentânea da outra pessoa. Se tudo deu certo, você viu o que ela quis que você visse.

O sucesso.

A palestra.

A captação de investimentos.

A promoção.

A frase descolada.

A foto com o filtro perfeito.

Até aí, tudo bem. Todos projetamos imagens de nós mesmos, conscientes disso ou não. Mas são parcelas da realidade, ninguém tem acesso à história toda. O problema é quando nos comparamos aos outros (sempre fazemos isso), acreditando que o que vemos aqui é a realidade. Ficamos pelados na frente do espelho no qual penduramos todas as fotos photoshopadas, nos mensurando contra padrões completamente surreais¹, acreditando em auto-ajuda de segunda linha² pra repetir que, no fundo, a culpa é nossa por não fazer o suficiente. Os impactos disso são devastadores pra nossa auto-estima.

(Aqui vale uma clarificação: auto-estima, conceito jogado que nem bala em festa de criança, deve ser entendido claramente: estima –avaliação do valor- e auto –de si mesmo.)

Como diz a Brené Brown³,“Vivemos em uma cultura de forte sensação de escassez. (…) Nunca somos magros o suficiente, extraordinários o suficiente, bons o suficiente.” Evidente que isso só acontece porque nossos cérebros são programados pra fazer comparações o tempo todo, e nossos parâmetros são completamente irreais.

Eu cansei de me sentir insuficiente, de me valorar por padrões que não refletem de verdade o que eu acredito. Defini novas métricas de sucesso pra mim. Não estou lançando a Posterfy pra ganhar notoriedade, ficar milionário, ser o fodão do LinkedIn. Claro que meu ego sempre vai pedir essas coisas, e sempre vai voltar a se comparar contra padrões que são martelados o tempo inteiro, mas esse é um dos objetivos.

Talvez esse post não esteja bom. Talvez não passe tudo que eu queria passar. Mas tudo bem, não vai ser o último que eu vou escrever. Uns vão ser melhores, outros piores, como tudo na nossa vida; não vou mais só publicar os artigos perfeitos. Meu trabalho não é pra eu ser o melhor, é pra eu ser melhor.

Fernando Dias

Posterfy.Co

https://twitter.com/PosterfyPontoCo

  1. O que acontece quando isso é levado ao extremo: https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/2017/07/08/apos-consultar-medico-ken-humano-recebe-a-noticia-de-que-seu-nariz-pode-cair.htm
  2. “A incrível baboseira que é ‘O Segredo’, de Mark Manson. Basicamente, fala sobre a “Lei da Atração” e como isso é uma tremenda bobagem, perpetuada pelo “Enviesamento de Confirmação.” Exemplo disso é decidirmos engravidar e começarem a surgir lojas de roupas de bebê. Elas surgiram ou você começou a procurar? http://observer.com/2015/06/the-staggering-bullshit-of-the-secret/
  3. “O Poder da Vulnerabilidade”. https://www.amazon.com/Power-Vulnerability-Teachings-Authenticity-Connection/dp/1604078588

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *