Siga em frente.

Dezesseis anos atrás, eu não tinha ideia do que o ataque representava. Hoje, quando me dei conta da data, eu chorei.

(Nota: esse post foi originalmente publicado no LinkedIn, em 11 de Setembro.)

Na verdade, eu não sei se algum dia vou conseguir entender todas as suas dimensões, não sendo um cidadão dos EUA; acho que pra eles sempre vai doer muito mais do que poderia doer em mim. Quer você acredite que tenha sido um atentado de extremistas religiosos, quer acredite na teoria mostrada no documentário Zeitgeist, fato é que foi um ato nefasto, egoísta, de todos os ângulos contrário ao que eu acredito hoje. Vidas perdidas, tanto pelas mortes quanto pelos impactos psicológicos que isso teve em milhões de pessoas.

Hoje eu consigo tentar me colocar nos sapatos de todas essas pessoas. Só de imaginar o efeito cascata que isso tem até hoje me deixa triste. Consigo imaginar o que pode ser perder os pais, os irmãos, os amigos – ou pior, perder os filhos. E só de tentar entrar nesses sapatos já sinto um embrulho no estômago, um aperto, o chão querendo se abrir. Mas não foi por isso que chorei.

Chorei hoje quando lembrei que, dezesseis anos atrás, eu comemorei.

Eu sinto vergonha em admitir isso, é difícil escrever essas linhas. Comemorar uma tragédia? Quem faz isso? Que visão míope de mundo! Que mente limitada! Mas antes que eu pegasse minha chibata e começasse a me chicotear, eu parei.

(Todos nós temos essa chibata; quando damos ouvido àquela voz que fica remoendo nossos erros e nos criticando e ficamos presos ao passado, naquele instante, estamos nos flagelando.)

E do mesmo modo que eu consigo voltar ao passado e me colocar nos sapatos daqueles que presenciaram o atentado e abraçá-los – tanto em solidariedade quanto em pedindo desculpas – eu vejo como aquele eu também merece minha empatia. Ele não tinha a visão de mundo que eu tenho hoje. Ele não tinha vivência, experiência, relacionamentos, vocabulários que eu tenho hoje. Ele não devia ter comemorado, mas ele não sabia. E faço as pazes comigo mesmo. É o mesmo com minha filha; ela não tem os 32 anos que eu tenho; não posso cobrar dela a mesma maturidade em relação à vida, mas posso estar com ela e ajudá-la no processo. E abraçá-la toda vez que, de alguma forma, o processo for doloroso.

Quantas vezes fazemos isso com nós mesmos? Somos tão capazes de perdoar erros dos outros (às vezes graves), mas não conseguimos nos perdoar. É um exercício diário, pra mim, e a parte mais difícil é diferenciar esquecer de perdoar; o perdão não esquece, mas aprende e melhora. E segue em frente.

Tragédias são eventos atrelados a uma história. Hoje eu decido transformar essa história desse dia. A memória do atentado está cada vez mais viva em mim, mas pra mim o dia 11 de setembro passa a ser o Dia do Perdão, uma lembrança de que eu tenho o poder de me perdoar.

E me parece que isso vai ser muito importante na jornada como empreendedor. O que será que o Fernando daqui cinco anos vai me perdoar?

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