O que é mensurado 

… é gerenciável, disse Peter Drucker, uma das maiores mentes da história em negócios. E ele está absolutamente certo, existe um imenso valor em mensurar e gerenciar. No entanto, acredito que é necessário aprofundar o entendimento dessa frase pra extrair valor real dela.

1. Não é só negócios 

Isso serve pra qualquer coisa, e nas últimas semanas eu criei uma planilha chamada “Personal Tracker”, pra mensurar minhas rotinas – mais especificamente, minhas prioridades — mais especificamente, atividades que eu quero que passem a ser hábitos indeléveis da minha rotina. Existe muito, muito valor em fazer isso.


2. Não é só “o que” mensurar 

Na minha planilha eu tenho linhas de mensuração muito claras: são as atividades que eu quero que sejam rotina. É impressionante como é possível extrair valor dos dados coletados – priorização, tempo, eficiência, insights… Você pode querer mensurar sua corrida pra melhorar, mas qual o seu objetivo? Ou, “por que eu quero mensurar?” é a primeira pergunta a ser feita. Se você quer mensurar sua corrida pra correr mais rápido, mensurar as calorias gastas será (em um primeiro momento) inútil.


3. Não é só “por que” mensurar 

Você tem o quê (“quero meditar todo dia”) e o porquê (“pra me tornar uma pessoa mais consciente”), mas sem um “como” isso também é improdutivo. Nesse caso, se você não souber como vai fazer ou como vai medir, você não tem base de comparação pra saber como está progredindo. Seja específico no que você quer mensurar (meditar 15 minutos por dia), pra extrair valor aí. Quando conseguir “sims” suficientes, mude o como e seja ainda mais específico (i.e. não perder a concentração por 10 minutos). Side note, faça com que a mensuração seja o mais simples possível (eu uso “sim”, “metade”, e “não”), pra ser extremamente fácil fazer a mensuração.

4. Não é só “mensurar” 

Mas colocar metas – o que você vai considerar sucesso? Mensurar sem objetivo é perda de tempo, e sem meta também. Mensurar quanto tempo você passa por dia no facebook pra ver quanto do seu dia poderia ser mais produtivo é um objetivo, mas sem uma meta você se perde – na mensuração e na motivação. Coloque uma meta, mensure e depois veja o resultado.

5. Não é só ter sucesso, ou “Não mire tão baixo que seja fácil demais conseguir” 

Quanto sucesso você consegue é o indicador da velocidade ou intensidade do que você está fazendo. E o sucesso fácil demais desmotiva.

Se eu atingi entre 85% e 100% de uma meta (isso equivale a 6 ou 7 “sim” na semana), deveria ter sido mais ousado ou agressivo na meta, e ajusto de acordo com isso (e.g. meditar uma vez por semana);

Se eu atingi entre 75% e 85%, continuo mensurando sem alterações por mais duas semanas e se, ao fim dessas três semanas, o resultado se mantiver, posso considerar que esse é um hábito, e tiro da lista de mensuração (e.g. meditar uma vez por dia, e não meditar no domingo ou quando você chegou tarde em casa)

Se eu atingi entre 70% e 75%, continuo mensurando, anotando padrões que poderiam facilitar a execução – o que faltou para chegar em 100%? (e.g. meditar uma vez por dia, e fazer isso cinco vezes – por que não meditei no sábado?)


6. Não é só ter fracasso, ou “Não mire tão alto que seja impossível conseguir” 

Da mesma maneira que o sucesso fácil desmotiva, fracassos evidentes também – por que você mensuraria algo que não vai conseguir fazer (nesse momento)? Eu digo nesse momento, porque eu posso mensurar quantas corridas de 21K eu fiz na semana, mas eu estou começando a correr agora, não vou conseguir fazer nenhuma. Mas se esse é meu objetivo, eu posso mensurar quantas corridas de 5K eu fiz na semana e, quando estiver seguro, passo pra quantas corridas de 10K eu fiz, e assim por diante. Small wins.

Se eu atingi entre 0% e 50% de uma meta (isso equivale a 3 “sim” e um “meio” na semana), a meta está ousada ou agressiva demais, e ajusto de acordo com isso (e.g. meditar os sete chakras três horas por dia);

Se eu atingi entre 50% e 70% (entre 3,5 e 4,5 dias), ou a meta precisa de um ajuste fino (e.g. meditar meia hora por dia – talvez seja muito tempo) ou faltou motivação (e.g. será que eu realmente quero que meditar se torne um hábito?)

Se eu atingi entre 70% e 75%, continuo mensurando, anotando padrões que poderiam facilitar a execução – o que faltou para chegar em 100%? (e.g. meditar uma vez por dia, e fazer isso cinco vezes – por que não meditei no sábado?)


7. Não é só mensurar 

É saber quando parar de mensurar. Mensurar e gerenciar é algo ativo, a qual você dedica tempo e energia. É importante saber quando parar. No meu caso, eu tiro da lista de mensuração o que já virou hábito, e coloca na ‘watch list’, uma lista de coisas que eu já consegui transformar e não quero perder. Nessa lista eu consigo me manter na linha, sem devotar atenção ou energia ou tempo em mensurá-las (manter um tracking ativo) e gerenciá-las (manter anotações e fazer ajustes na mensuração ou na execução), só pra que não deixem de ser hábitos (acompanhando no final do mês, com uma pergunta – “isso continua um hábito?”, com um sim ou não como resposta). Se deixar de ser um hábito, volta para a lista principal.

Nota adicional:
Eu vou ajustar a frase do Peter Drucker:

“O que é mensurado é gerenciável, e o que é gerenciado é melhorado.”


IDEA IN BRIEF 

Existe muito valor a ser extraído da mensuração pessoal. Seguindo a vida “by default”, deixamos de definir nossas prioridades, nossos objetivos, e sem mensurá-los não sabemos se estamos próximos de alcançá-los ou se podemos querer ir mais alto. Eis um resumo de como começar:
1. Defina um objetivo

2. Seja claro no “por que” mensurar

3. Seja adequado no “como” mensurar

4. Seja específico no “o que” mensurar

5. Defina metas

6. Faça ajustes necessários

7. Saiba quando parar de mensurar

8 respostas para “O que é mensurado ”

    1. Bom ponto.
      Eu uso tabela porque eu me organizo melhor assim, mas o importante é mensurar o que você quer melhorar.
      E também acho que não precisa ser “essa disciplina toda”, só praquilo que você quer mudar.

      Tks pelo comentário! 😀

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