Informação Demais

Hoje esqueci meu celular em casa. Claro, já aconteceu outras vezes, mas talvez eu nunca tivesse pensado ativamente sobre o que estaria fazendo em cada momento, caso estivesse com ele.

No ônibus, em vez de música, escutei conversas. No almoço, eu conversei, com atenção direcionada, sem saber qualquer outra informação de outros lugares – fazia tempo que não conversava um almoço inteiro assim. Minha esposa me ligou no trabalho quando precisou falar comigo, em vez de conversarmos por WhatsApp, e foi bem mais significativo. No banheiro, pensei nesse post, em vez de jogar ou ler Facebook.

Também freei de procurar informações na internet a respeito de tempo, bolsa de valores, resultados de jogos (de esportes que nem acompanho), e outras informações que checo algumas vezes ao dia. Não ouvi rádio nem música durante o trabalho. A política sobreviveu a um dia sem mim.

Chego no fim do dia com mais energia. Receber menos informação, no fim, deve ter ajudado bastante nisso (ou foi o fato de prestar mais atenção em mim mesmo?). Clay Shirky, um pensador da economia em tempos da internet, diz que “não é informação demais; é falha de filtro.” Talvez isso seja verdade pra qualidade da informação que é absorvida, ou talvez também pra quantidade – e pensando nos smartphones, recebemos mais informação com menos qualidade por ele.

Vejo isso como uma confirmação da tese do Domínio Público, especialmente ao reler a frase de Shirky. Quando deixamos os outros decidirem por nós quanta informação recebemos, menos somos nós mesmos, e o mesmo vale no caminho contrario: quanto de informação sobre você mesmo nós compartilhamos conscientes da mensagem, do meio, do público?

Talvez o celular não seja a única variável pra um dia mais agradável, mas acho que vou esquecer o celular mais vezes, só pra ter certeza.

3 respostas para “Informação Demais”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *