Falha de Filtro

Pesquisei mais a fundo na teoria de Clay Shirky sobre a Falha de Filtro. O ponto maior dele é que vivemos em um estado de Informação Demais desde a invenção da prensa, de Gutemberg. A partir desse ponto o custo de produção caiu tanto que, por forças de viabilidade econômica, os livros deixaram de ser encomendados e passaram a ser escritos antes e vendidos depois. As principais consequências disso é um, surgiram tantos livros que uma pessoa letrada (pouquíssimas, à época) não mais conseguiria ler todas as obras na sua vida; e dois, surge a Falha de Filtro pela simples força de volume. O que vivemos hoje, então, tem suas raízes em 1450, e aposto que depois disso todas as gerações antes da nossa reclamavam que existia simplesmente Informação Demais.

Shirky também fala dos dois sistemas de filtro, mecânico e manual, usando como exemplo os spams, e nenhum deles vai apresentar uma solução definitiva; criamos códigos que colocam certos tipos de email em uma caixa separada, mas sempre surgem novos e, antes de colocá-los no código de spam, deletamos manualmente. (Aqui eu entendo que algumas entradas que antes não considerávamos spam, como “Quero receber uma newsletter semanal com as promoções da loja!”, passam a sê-lo).

Ainda, ele fala sobre a criação de novos espaços em tempos digitais e sobre como ainda não estamos adaptados a eles. Ele usa como exemplo um caso em que um aluno, entendendo que um grupo no Facebook para estudos de química seria simplesmente uma extensão do seu grupo de estudo pessoal na universidade, enquanto a universidade o processou por violar os princípios de conduta em que os alunos não distribuiriam materiais de estudo próprio. Os dois estão certos, para ele; um,  em criar extensão do grupo físico, que era permitido pela faculdade; outro, por entender o site como uma mídia e, portanto, cópia e distribuição em massa de informações. Para Shirky, o Facebook não é nem uma extensão do mundo físico, nem uma mídia; é as duas coisas ao mesmo tempo; e é, na verdade, algo completamente novo, ao qual ainda não estamos adaptados.

O ponto dele é que devemos entender a Falha de Filtro não como um problema, mas como um fato, porque tão recorrente (como diria Isaac Asimov). Devemos passar a nos enxergar em relação à quantidade de informação no mundo da mesma maneira que enxergamos os peixes em relação à agua.

Muito interessante a tese. Recomendo a leitura do artigo na íntegra (em inglês), e gostaria de saber a opinião de vocês.

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