Domínio Público

As pessoas acham que um recém-nascido é Domínio Público. Todos se colocam nos direitos de encostar, pegar no colo, falar em baby-talk, de fazer piada, de saber quantas vezes ele mama ao dia, quem é o pediatra, e se os pais estão mortos de sono ou só muito cansados.

Também se colocam os deveres e tomam pra si a responsabilidade de cuidar dos bebês, dando palpites de como criá-los (“não dê chupeta porque estraga os dentes”, “dê chupeta porque não faz diferença”), interpretando cada choro (“é cólica, é fome, é frio, é calor”), listando todas as terríveis coisas que vão acontecer com ele e com os pais (“durma tudo o que puder porque ela não vai dormir de noite”, “ela vai entrar na fase de puxar cabelo, é normal”). Com alguma sorte, também cuidam dos pais.

Quem diz se o bebê é ou não Domínio Público são os pais, no fim das contas (em grande parte, pelo menos). Se eles querem deixar que o maior número de pessoas pegue o bebê no colo, a decisão é deles, tanto quanto não deixar ninguém pegar. Como em tudo na vida, no fim das contas, o mercado vai decidir por você, se você não definir claramente o que pode e o que não pode (o bebê incluso nesse “mercado”, com o passar do tempo).

E como qualquer outro aspecto da sua vida, o mais importante é você pensar nos prós e contras de cada cenário, desenhar uma filosofia, e segui-la, colhendo os benefícios e aguentando as reações negativas. Estou falando, claro, de paternidade, mas também de como você escolhe tocar sua carreira, seus relacionamentos, sua saúde, sua vida (e sua empresa, sua marca, seu produto, seus funcionários).

O que não dá é reclamar do que acontece quando você deixa o público/mercado escolher por você – é mais fácil, claro, mas quase nunca o que vale a pena é fácil.

4 respostas para “Domínio Público”

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