Comece de novo.

Eu não sei exatamente o que estou fazendo. Depois de muitos anos na indústria financeira, começo uma nova fase da minha vida.

É um momento interessante, carregado de esperança, possibilidades, medos, e ansiedades. Mas são momentos assim que fazem a gente rever uma série de conceitos que estiveram sedimentados por muito tempo.

Durante muitos anos eu quis ter minha própria empresa, mas sempre havia uma desculpa pra não começar. Hoje eu vejo que todas eram apenas uma cortina de fumaça pra esconder a real razão: o medo de falhar, e o que isso representaria na minha identidade pessoal.

Hoje entendo que parecer uma pessoa boa e me tornar uma pessoa melhor são exercícios conflitantes, porque demandam muita energia. Por muito tempo eu quis proteger minha imagem de high achiever, de intelectual, de inteligente. Afinal, se eu me arriscasse pra fora das minhas áreas de conhecimento, essa imagem cairia. Mas eu deixei de aprender, de me desenvolver. Me sentia um zumbi, um robô, anestesiado da realidade e preso por algemas de ouro.

Não sei se a empresa vai ter sucesso. Aliás, é estatisticamente improvável que isso aconteça. Mas decidi rever meus conceitos pessoais de sucesso – parafraseando Peter Drucker, “o que é mensurado é melhorado”. Noções como cargos, fortunas, equipes, notoriedade etc já não fazem mais sentido pra mim. Vou começar a fazer perguntas diferentes. E medir meu sucesso através delas:

  • Eu aprendi mais sobre mim mesmo?
  • Eu desenvolvi habilidades novas?
  • Eu me tornei uma pessoa melhor?
  • Eu conquistei um medo que me prendia?
  • Eu fui uma influência positiva na vida de alguém?
  • Eu fiz dinheiro suficiente pra sustentar minha família?
  • Eu estou satisfeito com minha vida?
  • MInha família sente orgulho de mim?
  • Fui um bom exemplo pra minha filha?

Eu não sei exatamente o que estou fazendo. O site ainda nem está no ar. Existe muita coisa pra ser feita, 80% das quais eu não sei nem por onde começar. Mas quando a ansiedade começa a subir, eu lembro da minha filha tentando engatinhar, depois tentando ficar em pé, e agora tentando dar seus primeiros pulinhos. E que um dia ela vai poder correr, jogar vôlei, saltar de paraquedas, etc. Cada novo salto de desenvolvimento traz a dor do novo, do mundo que se expande, dos joelhos ralados, mas ela simplesmente não pára. Cai, chora, e levanta.

E começa de novo. Isso, pra mim, é sucesso.

 

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