Bloqueio do Escritor

Tenho me proposto a escrever todo dia, e tenho conseguido.

A ideia inicial era escrever um post por dia, mas isso acabou não sendo praticável. Vou pensar alto aqui e elencar as causas e pensar nas soluções. Às vezes, esse exercício de escrever o que você está pensando ajuda a ganhar perspectiva.

Importante notar: esse não é um post sobre o bloqueio de escritor, mas sobre as diversas razões pelas quais não fazemos algo a que nós propomos a fazer. Então vale pra todo mundo.

A. Falta inspiração
É impressionante que, na hora em que eu vou escrever, todos os temas interessantes desaparecem da minha cabeça. Eu acabo escrevendo algum post meio sem inspiração (como esse) e acaba indo pro lixo (como talvez esse – vamos ver).

O que fazer:
1. Continuar escrevendo todo dia: Duzentas palavras ruins por dia, disse um escritor (acho que foi o do Game of Thrones, mas não tenho certeza). De dez, um texto vira algo decente. Ainda estou duelando comigo mesmo se deveria colocar todos no blog ou só esses uns que viram…

2. Diminuir a cobrança: nem todo texto vai ser genial, e ok pra isso. Nem todo mundo vai gostar, e ok pra isso. Mas algum texto vai ter um efeito muito maior do que o que você esperava. Escreva. Todo dia. “Se você escrever, eles virão.”

3. Pressão Social: fale pra todo mundo do seu blog e que você vai postar que nem um maluco, e espere as cobranças virem. Elas virão. E você vai se sentir mal no dia em que não escrever, e vai escrever mais e mais. (Estou trackeando minha produção; vamos ver como isso anda.)

B. Ideias complexas
Às vezes começo a escrever sobre algo que realmente me interessa, e a coisa fica muito complexa. Estou escrevendo um post sobre a Geração Y, mas ele já está maior do que eu imaginava, porque a derivação de detalhes que eu preciso colocar ali pra seguir em frente e fazer sentido pra quem lê aumenta muito. Pra mim, a história fica bastante coerente porque eu já tenho meus atalhos de significância (eu acho que inventei esse termo ao ver a performance do matemágico Arthur Benjamin – muito legal ver o processo dele no último número).

O que fazer:
1. Fazer posts separados: talvez fazer uma série do tipo ” Minha visão sobre a Geração Y – parte 1 de 7″. Quebrar o texto em partes menores. Eu tenho restrição com isso por achar que isso não conta a história de maneira interessante, mas talvez possa ser uma alternativa.

2. Criar os Atalhos de Significância: escrever posts separados para cada termo ou ideia que eu uso como atalho de significância (talvez possa fazer um pra explicar melhor o que é isso) e, depois, escrever um texto com hyperlinks para esses outros post. O ônus disso é que pode ficar um texto meio desconexo ou chato demais pra quem não acompanhou, ou pra quem esquece o que eu quis dizer e tem que ficar entrando nos links. Não seriam tantos, acho, mas ainda assim.

3. Dedicar mais tempo para o texto: aqui acho que tem duas ramificações. A primeira é, organizar-se pra ter a história toda clara e não se perder na construção – uma lousa, um caderno, um papel, só pra colocar todas as ideias e as relações entre elas e não se perder quando tiver que parar de escrever. A segunda, como qualquer trabalho mais complexo, dedique mais tempo pra escrever – não meia ou uma hora, mas pelo menos duas horas, sem distrações e sem quaisquer outras atividades. Focado. Acho que isso ajuda bastante a ideia a evoluir.

C. Falta de vontade
Às vezes me sinto como aquele moleque da quinta série que quer treinar karatê que inferniza os pais, compra kimono, faixa, faz matrícula e, depois de duas semanas, enjoa dos treinos – afinal, é muito melhor ficar jogando videogame e comendo batata que fazer aquele treino todo, e duas semanas depois ele nem virou o Ken ou o Ryu ainda.

O que fazer:
1. Vire seu próprio pai ou mãe (qual dos dois for mais firme): começou, termina. Ponto. Começou o ano treinando, vai terminar o ano treinando. Ou não tem videogame. Nem batata. Nem nada. Termina. Se realmente quiser parar, pára só depois de trocar a faixa. Às vezes a gente se empolga com alguma ideia, acha legal os primeiros momentos, mas depois que vem o ônus e passa a empolgação a vontade de fazer aquilo a que a gente se propôs também some. E então nós temos que passar por cima da vontade – que é algo bem primitivo, do tipo quero/não quero – para depois dessa fase de baixa re-encontrarmos o prazer em fazer o que nos propusemos – seja por gostar de fazer ou por gostar dos resultados (resultado vicia). E, pra passar pela fase de baixa, só uma visão de futuro e propósito – e, se você não tem isso (como um guri da quinta série não tem), peça ajuda (como o guri da quinta série tem nos pais – no caso dele, sem pedir).

2. Coloque desafios: funciona pra mim (só comigo mesmo; não adianta alguém chegar e falar “duvido que você…”). Quando eu comecei a correr, foi pra emagrecer. Quando desmotivei, foi o propósito (ficar magro) que me manteve correndo. Mas pra gostar daquilo, eu me coloquei desafios e, quando vi, estava correndo 200K no mês e acordando de madrugada empolgado pra correr.

D. Falta de tempo
É a desculpa do mundo moderno pra qualquer coisa, especialmente pra quem não vive de blogar. Acordar cedo, ir pro trabalho, ficar até mais tarde, voltar pra casa, querer relaxar, ficar com a família, ou sair com os amigos pra relaxar, jogar futebol, dormir até mais tarde no fim de semana, acordar de ressaca no domingo, recomeçar na segunda… É verdade que hoje temos também muito mais opções de coisa pra fazer e acabamos não fazendo nada muito bem. Mas tempo é questão de escolha, e se você não tem tempo pra fazer algo que você quer, a culpa é sua por não saber elencar prioridades. Eu tenho pouco tempo livre, hoje em dia, mas com coisas nas quais eu vejo valor real, e talvez só me martirize por não escrever mais.

O que fazer:
1. Defina a prioridade: prioridade é uma palavra no singular (aquilo que vem antes); se tem mais de uma, não é prioridade. Então pergunte-se: qual é a minha prioridade? Só de elencar isso você vai ver como muita coisa que você faz não agrega valor e pode ser descartada sem peso na consciência, agora que você sabe qual é a sua prioridade.

2. Elenque uma lista de importância: depois da prioridade, as coisas importantes. Trabalhar onde eu trabalho fazendo o que eu faço não é minha prioridade, mas é importante (por motivos óbvios). Enfim, liste suas ordens de importância e foque nisso – seu tempo vai ficar muito mais sob seu controle.

Acho que essas foram as quatro desculpas que eu achei pra não escrever, e pensei nas medidas que eu posso tomar pra mitigar essa falta de texto. Também decidi que vou publicar esse texto como uma forma de pressão social pra mim mesmo – podem me cobrar de como estou evoluindo nesses quatro pontos – e porque acho que podem ter valor pra bastante gente.

5 respostas para “Bloqueio do Escritor”

  1. Acho que passei por cada um desses estágios até criar vergonha na cara e criar o PDM. Ter dado o primeiro passo com o outro blog (A Décima Arte) foi muito bom pra conseguir pegar o “hang of it”, ver como era escrever, ter que divulgar e tal. Aí quando o PDM nasceu – e cresceu – se tornou um bagulho viciante: você passa a comemorar cada novo like, cada novo comentário, e isso acaba se tornando um puta motivador pra você continuar.

    Tenho que fazer o mea culpa porque deixei o site sem atualizar desde o dia 15 de junho (quando começou a E3), e por mais que tenha buscado N motivos pra esse hiato, no fim das contas eu tava com preguiça mesmo. Mas com um pouquinho de disciplina hoje eu diminuí o gap de uma semana. Acho que o mais importante de tudo é dar o primeiro passo, porque depois que você toma gosto pela coisa e vê a galera curtindo seu “trabalho”, fica difícil largar.

    Ótimo texto, by the way! Agora vê se mantém o ritmo! 🙂

  2. Adorei!
    E depois de ler, antes de vir comentar, fui lá escrever meu post de hoje! rsrs

    Continue! Continue!
    Não sei se já te disse, mas sempre quis ler textos seu – sabia que seriam ótimos!!!

    Um beijo!

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